Algumas pessoas me perguntam porque gostamos tanto da praia de Maresias, e tento explicar. Primeiro vem uma questão emocional, uma ligação de anos que temos com o lugar, onde costumávamos acampar na década de 80 (século passado, gente!).  É uma questão de hábito, costume, poderia dizer. Mas hoje, caminhando pela orla de Maresias, despertei para outras razões:

maresias

Primeiro, é uma praia linda! Forte, limpa, está incrustrada numa enseada cercada de uma área verde exuberante, de mata atlântica. Sua água é muito salgada, suas ondas fortes, às vezes amendrontam, mas exibem toda a força da natureza.

Ela se impõe. Faz um barulho estrondoso, se bobear ela te derruba, e de fora, parece plácida, calma, gigante, esplêndida. É lá que sinto a presença de Deus. Seja ele quem ou o que for. A presença que energiza, recarrega. Ela é meu ideal, meu arquétipo do que chamamos ‘PRAIA’, ainda não foi totalmente corrompida pelo turismo, está resistindo.

Nas duas pontas, um rio que desce da serra encontra o mar. Gosto de andar até lá, colocar meus pés na água gelada do riacho, é como se estivesse fazendo um processo de limpeza, e prestando uma reverência, gosto de cumprimentar o rio, passar a mão nas pedras, ouvir o som da água correndo, e voltar pra o mar.

A areia é amarelada, grossa, me lembra a areia do Nordeste do Brasil. É perfumada, você ainda encontra conchas, peixinhos, gaivotas. É um sonho! Hoje, caminhando, lebrei de minha avó materna. Ela costumava me convidar para longas caminhadas à beira-mar, dizia ‘vamos catar conchinhas’, e lá ia eu, filosofando com a minha avó na beira da praia. Acho que é um dos poucos momentos que lembro dela feliz, despreocupda, ralaxada, pois na maior parte do tempo, era triste, amarga, ressentida..

Não troco Maresias por nenhuma outra praia.  Seja no verão, no frio, na chuva, ela mostra seu poderio e exige respeito. Encarar Maresias é como encarar a mim mesmo, de frente, sem rodeios. Ela me pede honestidade, verdade, simplicidade.

Hum…já estou com saudades!! Bjs, Van.

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