Exibir DetalhesEssa semana estive no RJ  e andei de táxi de lá prá cá. Numa dessas idas e vindas, conheci um motorista muito engraçado, que me contou um pouco de sua história. O enredo é digno de qualquer novela das 8, ou quem sabe um roteiro de cinema! Vou contá-la em 2 capítulos.

Vou chamá-lo de Mr Piauí, por ser este seu estado de origem. Sem mais nem menos, ele começou a me contar a sua história:

– Sabe dona, eu fui casado, mas me separei porque meu casamento num deu certo não.., quando me separei e vim embora pro Rio falei pra minha ‘mulhé’ – ‘Fica com a casa pr’ocê’. Também tinha um terreninho assim, lá, no interior, falei pra ela – ‘Fica também pr’ocê’. Tinha lá umas 20 cabeça de gado que tavam lá na casa de minha mãe, falei – ‘Fica pr’ocê’.

– Deixei tudo que tinha pra mulhé, num quis nada não… E a mulhé falou: ‘Não, num é justo. E ocê num vai levá nada não? Num é justo, ocê tem que ficar com alguma coisa..’ Num é de estranhar dona? – ele me pergunta – é de estranhar, porque as mulhé sempre qué ficá com tudo…

– Aí eu falei, tá bom mulhé, ocê que sabe…e eu vou levá o quê? Ela respondeu: ‘Tu vai levá é os 4 minino!! Essa é sua parte..’, ela respondeu. Dona, já viu mãe assim tão desnaturada? Eu falei prá ela: ‘Mulhé, fica pelo menos com os gêmeos – que tinham 1 ano – eles precisam ainda da mãe!’ Ela respondeu ‘Num fico, é de pequeno que eles tem que aprender a se virar’. Fica com a menina então, eu disse – que tinha 10 anos.  E ela: ‘Fico não, se você deixá eles aqui, num dô nem água pra eles, eles vão morrer de fome’.

Aí eu perguntei curiosa: – E o que foi que o sr fez com os ‘mininos’?

– Deixei na casa de minha mãe, pra ela criá. A minha mulhé até hoje, passa em frente da casa de minha mãe, eles pedem a ‘benção mãinha’, e ela nem olha na cara deles! A sra acredita? Hoje os gêmeos tão com 16 anos, e os mais velhos já estão adultos, moram ainda os 4 com a avó, no Piauí.

– Um dia a menina me ligou, há 3, 4 anos atrás, e disse: ‘Painho, coloca um dinheiro pra mim no banco?’ E eu respondi ‘Prá que tu qué dinheiro minina?’; ‘Vou prestar vestibular, pai’. E eu falei: ‘Minina, tu num vai entrar, tu tem só 17 anos, bobagem, num ponho dinheiro procê não..’

– E minha filha falou: ‘Pai, a vaga é minha, põe o dinheiro no banco pra mim’. Aí eu pus, um dia ela me ligou e disse ‘Pai, adivinha..’; ‘O quê filha? Já sei, tu não entrou’. ‘Pai, entrei em 1.o lugar!’ E agora ela tá se formando, ela é engenheira! Sempre disse a ela que se cuidasse porque foi criada sem pai nem mãe..

Eu então páro pra pensar – que apesar de tudo, essa menina se formou, cresceu, parece ter caráter e resiliência. Êta povo brasileiro, danado de forte, sô!

Aí perguntei: ‘E o sr, não casou de novo até hoje?’  Senta que lá vem história…fica para o próximo capítulo…Bjs!

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