Em nossa 2.a aula aprendemos a fazer máscaras com stencil, para decorar cerâmica. Não é fácil não gente…, principalmente se você quiser fazer uma árvore cheia de folhinhas, e de duas cores!!

Foi um desafio, é um trabalho detalhista e demorado.., mas o mais complicado que achei é a visão que você precisa ter das várias máscaras, que sobrepostas vão formar a imagem final. Você tem que abstrair e enxergar os vazios da figura, os espaços, por onde a cor vai entrar.

Depois de feita a matriz, os espaços podem ser preenchidos com engobes (com a ajuda de uma esponjinha ou rolinho), ou ainda com pequenas ‘tapotagens’ – num pedacinho de pano poroso de algodão, tipo fralda, coloque óxido de ferro puro, em pó, e dê pequenas batidinhas, preenchendo os vazios com o pozinho; também pode-se usar areia que sobra da terra sigilata, que geralmente é meio avermelhada (só quero ver o resultado depois da queima). Seguem algumas fotos da aula.

A história dos vazios me fez lembrar de um professor de cinema que tive, muito criativo, que costumava contar que ficava horas olhando para a copa das árvores, tentando olhar só para os desenhos vazios, formados pelos espaços entre as folhas, por onde enxergava o céu… É um bom truque para treinar enxergarmos o outro lado das coisas, sair do padrão, fazer diferente.

Também me faz lembrar de uma poesia de Lao Tsé, no livro Tao Te King – que fala da UTILIDADE DO VAZIO. O vazio dá a função ao objeto, já pensaram nisso? Se não fossem as pausas, os silêncios, a música não existiria, as pausas também têm ritmos, cadência, e até movimento! – isso a gente aprende na dança. É preciso esvaziar o guarda-roupa para comprar coisas novas (bela desculpa hein?), é preciso esvaziar a mente para criar paz de espírito. Portanto, invistam no VAZIO!!

Eis a poesia…

“Trinta raios convergem, no círculo de uma roda

E pelo espaço que há entre eles

Origina-se a utilidade da roda

A argila é trabalhada na forma de vasos

E no vazio origina-se a utilidade deles

Origina-se a utilidade da roda

Abrem-se portas e janelas nas paredes da casa

E pelos vazios é que podemos utilizá-la

Assim, da não-existência vem a utilidade, e da existência, a posse”

(Acho esse poema LIN-DO!!!!!!!!!!!!!!!!!!)

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