Curiosos sobre a foto que postei ontem? Abrindo meus alfarrábios à procura de algo que tivesse o espírito do Wabi Sabi, me deparei com esse artefato de papel reciclado.

É um envelope que contém 4 cartões com envelopes feitos em papel reciclado, com xilogravuras coloridas, tudo impresso, dobrado e amarrado à mão.  É do Nepal. Vocês sabiam que por lá eles são especialistas (e talvez precursores) dessa história de papel reciclado?

 A necessidade faz a arte, muitas e muitas vezes. Uma coisa que à primeira vista é ‘pobre’ e pouco sofisticada, pode se tornar um objeto de desejo, ser muito valorizada, e até custar caro..

O que me chama a atenção são os detalhes wabi-sabentos:

– o barbante gasto e retorcido com que o envelope foi ‘costurado’ e amarrado

– o bambuzinho que serve como um enfeite e suporte da amarração, irregular e natural

– a textura do papel, macia, e ao mesmo tempo rugosa, quente; as bordas rasgadas grotescamente, à mão

– a aparência amarelada e desigual, tem ‘manchas’ e efeitos de textura impressos durante a fabricação artesanal do papel, e também um desgaste próprio do tempo

Tocando o objeto, é como se eu pudesse sentir/lembrar da presença de quem o fez, do ambiente, da loja onde comprei…uma lembrança em tanto, posso sentir o clima, a luz, os cheiros, o pó nas prateleiras.

É uma daquelas coisas que a gente guarda sem coragem de usar. Pois é, está guardado há 17 anos, e agora já nem se usa mais mandar carta, correio é um troço totalmente anacrônico. Mas eu a-do-ro receber cartas e cartões postais pelo carteiro. E hoje só o que chega são folhetos de candidatos a cargos políticos, contas, folhetos de pizza-delivery e jornalzinho do supermercado com as ofertas.

Ô mundo…onde foram parar as cartas escritas à mão? Aliás, olha aí as cartas  de amor e postais que eu recebia do Heraldo na época em que a gente namorava… Bons tempos!!!

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