Aí estão mais algumas de minhas últimas criações. Fiz menos do que gostaria. Mas venderam todas, no bazar da Bia Camargo. Sinal que as pessoas gostaram… isso sim me dá enorme prazer! Saber que alguém está tomando café/chá nas xícaras que eu mesma fiz, com todo amor.

Estou de férias, mas pensando no barro que está lá à minha espera…não vejo a hora de retomar. A inspiração é algo raro e surpreendente. É como plantar e regar uma plantinha da qual você não sabe o que nascerá. E de repente – puf! Surge alguma idéia. Basta persegui-la com afinco. É sentar, começar, olhar para o barro, acarinhá-lo e ele responde, acreditem!

Sou assinante da Vida Simples, e adoro a revista. Este mês ela traz uma matéria entitulada ‘Com as próprias mãos’, que fala sobre o valor dos trabalhos manuais, achei mega interessante! O autor se inspirou no livro do Richard Sennett que li no ano passado – O Artífice. Fala justamente como o trabalho manual estimula a curiosidade e a experimentação, o ‘improviso’, lançando mão da criatividade frente a um dilema muitas vezes, ou à busca pela solução de um problema. Muitas descobertas importantes para a humanidade surgiram do improviso, do ‘inesperado’, é a famosa lampadinha que acende, hoje mais conhecido nos meios mercadológicos como ‘INSIGHT’.

Tenho aprendido que o insight não aparece quando a gente quer, não é algo que se encomenda com hora marcada. É preciso abrir um tempo e um espaço para essa luz aparecer, e sobre isso não temos controle. Talvez por isso hoje, quando a sociedade focada na alta produtividade costuma pressionar os processos criativos, me dá arrepios…, qual a qualidade desse resultado?  Como solucionar esse impasse? Não sei, não tenho a resposta.

Existe uma satisfação enorme em consumir artefatos feitos manualmente, comer a própria comida, vestir a roupa costurada com as próprias mãos (Gandhi que o diga), e isso me remete às minhas xícaras… O trabalho manual traz a energia de quem o fez, traz o sentimento, o pensamento, segundo R.Sennett. Você vê o ser humano por trás daquele objeto, o que não acontece quando você compra um produto no supermercado ou numa loja de departamentos. Me faz lembrar daquela menina que achava que o leite nascia em caixinhas..

Como disse Karl Lagerfeld, citado na mesma matéria, a propósito da confecção industrializada: “Tenho medo que um dia o homem se esqueça de como as coisas são realmente feitas”.

Por isso vou insistir nas xícaras, bolws e pratos feitos um a um.  Uma das minhas intenções para 2011 é investir mais em conhecimento, em aprendizagem, e desenvolver projetos, dar asas à imaginação, e repetir as peças que já deram certo…, 2011 aqui vou eu!

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