No outro fim de semana fomos ao RJ, meu marido foi correr a meia maratona e eu aproveitei para visitar uma velha e querida amiga. Trabalhamos juntas durante alguns anos e ela sempre foi muito querida, talvez como não tivesse tido filhos, adotou todas nós e vivia nos bajulando, trazia lembrancinhas, nunca esquecia os aniversários, e tinha um dom muito especial: apesar de ser carioca da gema, conhecia São Paulo e seus meandros como ninguém.

Bastava dizer, ‘estou precisando achar onde vende um…’, e qualquer coisa esquisita que viesse depois dessa frase, ela tinha a resposta, ou ia investigar – no dia seguinte, sabia local, endereço, preço e tudo o mais…, apelidamos a Cuca de ‘Capitão Caverna’ – um desenho do meu tempo, em que o personagem tirava de seu casaco pré-histórico as coisas mais inimagináveis… Na verdade, Cuca (apelido de Maria Carmem) foi a precursora do Google!!!!

Depois voltou para o RJ, por questões pessoais, até porque aquela é sua terra natal, apesar de amar e conhecer SP como ninguém, e a gente ficou aqui com aquele gosto de saudades na boca…

Outro talento seu, inigualável, era escrever…seus relatórios de pesquisa mais pareciam crônicas e contos literários. Assim, babávamos e aprendíamos muito com ela. Cuca introduziu um pouco de poesia na nossa vida profissional, e ainda hoje (descobri) escreve pequenas crônicas sobre seu cotidiano, sempre recheadas de boas tiradas e um humor implícito, quase sarcástico.

Adoro algumas expressões criadas por ela, tais como:

– (para dizer que uma coisa é muito antiga!) … “Isso é do tempo em que vovô era cadete”

– “Fulana é destrambelhada, como um caminhão sem breque, ladeira abaixo

“Fulano é braço curto” (quando quer falar de alguém que não nasceu pra trabalhar)

– e a última: “Estou como Veneza, aproveitem antes que acabe…”

É isso que fomos fazer no RJ, curtir a Cuca e amenizar aquele gostinho de saudades!

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