Minha mãe me ensinou a Ordem.  Só hoje em dia eu reconheço essa herança, e o quanto ela é importante. Durante muitos anos de minha infância e adolescência lutei contra isso, achando uma chatice…escutava mil vezes “Arrume seu quarto!”, e como eu não arrumava ela ia lá e arrumava…eu ficava possessa, uma invasão da minha privacidade, e aí eu fazia de propósito, deixava tudo bagunçado, talvez só para irritá-la, com um espírito de contravenção, revolução ou simples desobediência à ‘ordem’ estabelecida.

Minha mãe exagera um pouco, acho que ela deve ter uns traços beirando o ‘toc’. Lembro – e é assim até hoje – o armário de camisas de meu pai arrumado primeiro pelo comprimento das mangas, as compridas de um lado, as curtas de outro, ordenadas pela cor e seus matizes, primeiro as brancas, passando pelas beges e azuis claras, até as mais escuras. Eu gostava de fazer isso com a caixa de meus lápis de cor…já era alguma coisa, não? Mas meu guarda-roupa era uma bagunça!!

Um fim de semana com a minha sogra, que está apresentando alguns pré-sintomas de Alzheimer, bastou para que caísse a minha ficha.  É fácil relacionar a desordem mental dela com a sua desordem nos armários da cozinha, gavetas e guarda-roupa. As coisas misturadas, nada tem seu lugar certo, e por isso ela nunca acha nada…..

Nunca achei que fosse tão importante a gente ter cada coisa em seu lugar, e um lugar pra cada coisa…, não sei se é meu ascendente em Virgem que anda cada vez mais presente, mas confesso que ultimamente tenho tido alguns ‘ataques’ de organização caseira, alguns impulsos, como aquela vontade de comprar caixinhas, estantes e cestos depois que vi um catálogo da Ikea.  Espaços mínimos e tudo arrumadinho no lugar…., tudo lindinho…. nossa, acho que estou tendo uma recaída!

Acho que tudo isso tem forte relação também com o (baixo) grau de escolaridade e a educação que se recebe desde criança, “é de pequeno que se torce o pepino”, dizia uma amiga minha.  Cheguei em minha casa de praia e verifiquei que a caixa de talheres estava um bagunça, colheres misturadas com garfos e facas, tudo junto – fiquei inconformada! ‘Como alguém pode não perceber que cada espaço é para uma coisa? Será que a mãe dela (da faxineira) não ensinou isso pra ela?” Pelo menos isso minha mãe me ensinou – facas de um lado, colheres e garfos de outro, a ponto de eu poder achar um talher de olhos fechados. Na minha casa de praia isso era impossível, ontem! Quando eu era criança, minha mãe sabia me dizer direitinho onde achar uma coisa, do tipo “pega aquela caixinha amarela que está na gaveta de cima do lado esquerdo do guarda-roupa, embaixo da caixa de lenços do teu pai…”, eu ia lá e achava direitinho…

Aí conclui: a Ordem é útil, um mínimo que seja – e isso ajuda na nossa ordem mental e psicológica!! E quem sabe nos ajude a prevenir um futuro menos catastrófico em termos de memória e organização das tarefas cotidianas!! Vou correndo ver se minha gaveta de talheres está em ordem…

Super feliz com meu novo ‘mug rug’ – artesanalmente feito com todo carinho por minha amiga Mina, ainda mais para uma ‘tea lover’ como eu…, sensação de calma e relax, a caneca fumegante com o fundo de tecido japonês…. leva a gente pras nuvens!!

Encontrei a peça no Bazar da Bia – aproveitem, tem muita cerâmica, coisas de pano e papel, ainda hoje e amanhã, à R.Moura Brasil, 133 – São Paulo.

 E se quiser ver mais ‘fofuras’ da Mina é só clicar no link aí do lado, blog da Mina!

Finalmente, esmaltei a minha passarada. Demorou, mas o resultado foi ótimo!! Pra comemorar, letra e música de uma das canções mais inspiradoras de Chico Buarque…, se você quiser ver o próprio (mocinho, olhão verde) cantando… clique aqui. Nas palavras dele – “É um rol, um elenco de passarinhos…”, saudades Chico!

Ei, pintassilgo
Oi, pintaroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tié-sangue
Xô, tié-fogo
Xô, rouxinol sem fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiariti
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí

Olhem só que coisa mais linda, ganhei de uma amiga. Dá pra imaginar que essas mandalas suculentas gerem flores tão lindas como essa?

Nova fornada de xícaras e copos azuis! Gostaria de ter feito mais, mas é sempre assim, a gente acaba se enredando nas tarefas do dia-a-dia, na correria para  ganhar $, sobreviver, comprar isso e aquilo, fazer a manutenção da casa, do carro, do corpo…hehehe, descansar de vez em quando que ninguém é de ferro. E como a cerâmica fica para as horas ‘vagas’, dá nisso…., menos produção do que gostaria, mas a tendência da curva é ascendente..!

Alguns exemplares estarão à venda no Bazar da Bia – nestes dias 8, 9 e 10 de Dezembro, à Rua Moura Brasil, 133, Butantã, SP.

 

 

 

 

 

 

Entre um relatório e outro sai uns bordados, como sempre meu tema favorito – country. Uma ‘cigana’ francesa disse uma vez que minha sina é ser dinâmica mesmo, nunca vou fazer uma coisa só, mas muitas simultâneas…

Engraçado que durante muito tempo eu achava que tinha que escolher, ou isso ou aquilo…e isso me causava um tremendo stress, ficava dividida. Hoje não, aprendi a viver com esse dinamismo, e aceitar todas essas ‘pulsões’ dentro de mim, ou sub-personalidades como define a Psicossíntese.

É óbvio que tudo cansa, tudo enjoa, nada é definitivo, para sempre, etc etc…. Ah, ela me disse também que uma das minhas características-chave é a mudança, o movimento, sempre – acho que por isso gosto tanto de dançar!  O importante é dar vida à voz interior, quando ela aparece, aos desejos, às necessidades. Aí é o céu…., a realização.

Voilá, as figuras mais recentes impressas em ponto cruz!!!

As uvas do cabeçalho são da minha casa. Sim, temos uma parreira no jardim. Engraçado como as coisas acontecem – logo que mudamos para cá o Heraldo, por iniciativa própria, comprou 2 mudas de parreira para crescer sobre o pergolado que meu irmão projetou logo na entrada, de um jardineiro velhinho italiano, na feira. Ele mesmo veio trazer e plantar as mudas – lembro dele até hoje…, de seu sotaque italianado, bem acentuado.

E tempos depois descobri que uma das primeiras mudas que meu avô plantou no jardim da casa dele na Penha foi uma parreira – devia tê-la como lembrança das suas terras na Turquia…. Às vezes as coisas acontecem e não nos damos conta o quanto de tudo isso está no nosso inconsciente coletivo…santo Jung!!!

Sim, costumamos colher e comer as uvas – tem anos que estão doces, outros azedas, depende da chuva e do sol que tomaram, depende da poda no tempo certo (meses sem ‘R’), enfim – uvas são como relacionamentos de amor e amizade. A qualidade dos frutos é diretamente proporcional a como cuidamos deles.

Vila, vilarejo, rua, casaredo. Via, avenida, calçada, beco sem saída. Praça, vilinha, vizinhança, condomínio.

Como é doce e amarga a convivência em comunidade. Você conhece o seu vizinho? Vocês se ajudam, se odeiam ou se ignoram?

Este é o desenho completo da Vila, em cerâmica com alto-relevo.

Casa, casinha, casão, home, lar, barracão. Castelo, puxadinho, cafôfo, ninho. Caverna, iglu, buraco, cingapura. Biboca, abrigo, refúgio.

Seja lá qual for o nome, o sentimento é o mesmo – paz e aconchego, proteção contra raios e tempestades. Talvez nem sempre para todos, mas é um desejo inerente ao ser humano, ter seu canto, sua toca, um lugar para dormir longe dos predadores de todos os tipos..

Este é um trabalho de relevo na cerâmica – trabalha-se o desenho numa placa de gesso, em baixo relevo, e depois a impressão é feita na argila ainda  crua. Minha inspiração foi um casario, uma rua cheia de casinhas germinadas, uma visão bucólica da felicidade….

Todos nós temos hobbies, passeios, passatempos, coisas que fazemos que nos dão um imenso prazer. Pode ser um almoço com um velho amigo, pescar horas a fio mesmo sem pegar nenhum peixe, caminhar a esmo, fazer compras quando se tem dinheiro sobrando… pode ser qualquer coisa. Os meus estão listados em alguns posts que já publiquei, entre eles – bordar ponto cruz.

As coisas que nos dão prazer pessoal podem não estar em voga, não dar status nem fama…., porém continuam sendo uma fonte repositora de energia. Bombardeados que somos pelo enxame de informação que recebemos a cada minuto, via facebook, email, sms, tv, jornal, rádio, etc etc e tal, temos nossos prazeres confrontados, e por vezes isso nos faz questionar hábitos e costumes, ficamos tentados a mudar, a pensar “quero fazer algo diferente..”, “seria bacana se eu também fizesse….”, e vai por aí a fora.

É curioso como se não seguimos as “últimas tendências” nos sentimos uma pessoa à parte, fora do grupo social ao qual tanto queremos pertencer. À parte do quê?, eu pergunto. Não sei, é apenas um sentimento de não-pertencimento, como se tivéssemos perdido o ‘bonde’, e atrás disso podem vir sintomas de menos valia, rejeição ou inferioridade. Em relação a quê? Ao grupo dos ‘bacanudos’, aqueles que estão na ‘crista da onda’ – o problema é que quando se chega “lá” – seja esse ‘lá’ onde quer que seja.. – o grupo seleto já está em outra, e você continua correndo atrás desse bonde, cujo ponto final não faz a menor ideia de onde se encontra.

Ufa! Essa dinâmica cansa. Acredito que um dos maiores desafios da era moderna é você ser feliz com o que tem, e sobretudo com o que é, com seus prazeres, modos e manias. Sou testemunha de algumas histórias. Se você persistir, continuar no SEU caminho, além de ser feliz, além do seu trabalho ser diferenciado e admirado, daqui a pouco vai ter um monte de gente atrás de você…hehehe. Mas a ideia não é essa; a ideia é manter a individualidade, a direção, o caminho, seja ele qual for.

No meio de tudo isso, continuo com o meu ponto cruz – apesar das tendências agora apontarem para o bordado ‘livre’, crochê, feltragem, e outros que tais, falando de trabalhos manuais… Continuo firme, porque me dá prazer, tranquilidade mental, introspecção, e ao mesmo tempo exerço a criatividade na escolha dos motivos, cores, matizes. Penso enquanto bordo, e vice-versa. Acho que a mesma lógica pode ser aplicada à qualquer área da vida.  Se você acredita em algo e gosta do que faz, se faz com amor e intenção, atitude, pode crer – não dê ouvido ao que os outros falam ou fazem, o importante é ser feliz!

IMAGEM DO DIA

Mug made by Jennifer Falter

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